Eu costumava escrever sobre chuva. Sobre fins. Sobre idas.
Foi assim a vida toda, desde que me lembro, eu tinha que aprender a ser sozinha e ser feliz. Acabei aprendendo, me acostumando e até convencendo com essa idéia. Sim, eu era feliz, pelo menos, era o que eu achava.
Isso foi há alguns anos, ou dias, não sei bem, quando ele entrou na minha vida sem muita pretensão e fez uma bagunça enorme.
Eu tentei, eu juro que tentei, mas depois daquele sorriso, qualquer coisa que não o tivesse ao lado, não poderia ser feliz.
Eu continuei tomando café em dias de chuva, imaginando quantos nãos eu me dei ao longo da minha vida, a quantos tiros eu abri meu peito e o quanto eu me protegia em vão ultimamente. Minha solidão, por fim, já não bastava mais. Por fim, eu passei a não ser mais tão inteira. Faltava... companhia. Mas não qualquer pessoa, faltava ele.
- Nossa, que homem bonito.
Era tudo o que eu tinha dele, um sorriso e a certeza que ele era lindo, meus olhos foram encantados...pouco depois seria minha alma. Mas eu ainda não sabia disso. Pensei que nunca mais o veria e, de fato, eu não dei tanta importância, de tão acostumada com idas, acabei esquecendo como eram as vindas.
Acontece que, um dia, mais precisamente uma sexta feira, as coisas mudaram. Eu continuava satisfeita com a minha pouco importancia e minha ignorancia sobre o amor. Tinha tido um pesadelo horrivel e estava certa de que iria acabar morrendo até a meia noite de qualquer forma. Não morri. Ainda bem.
Eu continuo escrevendo em primeira pessoa e realmente meus textos não ficam tão bons. Eu não sei escrever feliz, não sei contar começos, Sou uma iniciante nos inicios.
Um nome e a referência de curso, às 2 da tarde e eis que surge o amor. Ok, eu precisei ver umas fotos antes, falar meia duzia de palavras, ouvir uma música do Metallica, eis o meu Amor.
Engraçado, isso tudo faz um mês hoje. Um mês e parece que eu nem existia antes. Acabei desaprendendo a viver feliz com a idéia de ser sozinha. Mudei o Norte da minha vida.
Não penso em fins, não quero ir embora. Pela primeira vez na vida, quero ter raiz, ficar para sempre em um abraço sem ter a obrigação de não sentir falta se acabar. Eu não quero acabar. Eu preciso do sorriso, do cheiro, do beijo, do toque.
Um milhão de palavras não expressariam o que eu sinto, o que eu quero dizer. Eu sinto tanto que mal cabe em mim e acaba embaralhando tanto as palavras que nem escrever eu consigo.
A bagunça dentro de mim é muito grande, mas eu prefiro assim, com as gavetas jogadas no chão, as roupas espalhadas no quarto, nosso cheiro no ar. Nosso cheiro.
Minha organização acaba excluindo coisas muito importantes para deixar o chão à mostra.
Amor. All we need is love. Amor.
É tudo e é só. Amor.
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