Mateus,
Meu querido, acho que pouquíssimas vezes eu me senti tão estupida na vida. Acho que é essa mania de ser sozinha para ser livre, ando vendo gente falsa demais reclamando de meias verdades e isso me dá nojo. É um murro no estomago.
Gente que nem mesmo a cor do cabelo é de verdade, nada é de verdade. Sabe, gente que fica por perto para dar o bote na hora certa e pensa que te atingiu, mas esqueceu de verificar se você estava com bota de borracha e o veneno nem chegou perto da pele. Gente que brinca de amar. E não tem nem noção do que significa essa palavra.
Hipocrisia me cansa, as pessoas andam me cansando demais. E é por isso que eu estou tão estúpida. Desde que peguei minha carta de alforria e saí por ai feito uma louca em crise, bebendo tudo, xingando todos e tendo uma overdose e meia por minuto de realidade, que não me cansava tanto.
Acho que preciso de um porre de novo e apanhar na rua mais uma vez, pra aprender que nesse mundo só se dá bem quem se conhece direito e é egoísta o suficiente para se colocar antes de qualquer data comemorativa. Sei que faz tempo que a gente não se vê, mas até seu pseudônimo tem sido mais verdade que muita coisa que ando vivendo com gente que se diz " do meu sangue". Muita revolta né?! Na verdade eu só tirei as vendas.
Quando foi mesmo que me meti nesse jogo de verdade e mentira? Eu não me lembro bem, mas lembro que não existe regra nenhuma. É uma mera questão de escolha... ou você escolhe ser alguém e viver com a dor do mundo nas costas por estar sempre vulnerável ao tiro, ou escolhe fingir ser o que quer que seja e estar seguro com um belo colete, forte o suficiente para te proteger do tiro. Sei que ficar com a primeira opção é coisa mais idiota do mundo, mas foi isso mesmo que eu escolhi. Tinha alguma coisa a ver com estar inteira dentro da verdade e não me limitar por uma proteção de mentiras. Olha ai que besteira. Mas foi isso que eu fiz, lutando de peito aberto. Tenho levado muitos tiros, mas eu ainda sei quem eu sou de verdade.
Tenho assistido a muitos shows grotescos de pão e circo em que o imperador esquece o pão e o gladiador e a multidão se contenta com a mentira de um palhaço qualquer, contando uma piada sem graça qualquer, só para ter no que acreditar. E acho que estupidez maior que a minha, de pensar que verdade ainda existe, é de quem finge que acredita nessas mentiras todas. Falta de talento é uma lástima meu amigo. E eu ando vendo muito pouco talento pelas ruas. Tem cafeina demais na minha cabeça hoje. Faz com que a minha capacidade de escrever bem e metaforizar as coisas seja dissipada. Uma pena, era pra isso ter ficado bom.
Meus medos de ser sozinha ja acabaram com muitas ilusões em mim. Mas nós dois sabemos que mesmo em meio a multidão do coliseu cada um esta sozinho consigo mesmo. É esse o castigo da humanidade, fingir ser e estar pra fugir de ser sozinho e nunca conseguir. Sorte a nossa, Mateus, que com mentiras ou não decidimos ser sozinhos.
Um beijo.
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