sábado, 26 de maio de 2012

Carta 5

So...

De todas as letras já escritas de todas as palavras já ditas de toda a nossa convivência - se eu pudesse escolher- essas aqui seriam as palavras que você mais prestaria atenção, porque elas falam do fim de um amor e do recomeço de uma vida.
Eu sei que assim eu quebro as promessas gritadas naquele 12 de Abril, eu sei que jurei te escrever pra sempre em noites insones, eu sei que te jurei versos de uma vida inteira enquanto eu ainda respirasse e também sei que todas as cartas que eu já enviei - desde que fui embora- nunca foram lidas.
Eu te conheço de uma forma tão profunda, quase rio Colorado e Grande Canyun, seculos se esculpindo. Consigo entender cada sílaba desse teu silêncio, e ele machuca de uma forma que nenhuma palavra- por mais forte que fosse - nunca foi capaz. Mas não tiro sua razão, até acho que ele é necessário pra que eu consiga colocar um fim nisso tudo. Esse fim anuciado desde aquela noite em pleno verão de Outubro.
Duas pessoas diferentes, tentando se igualar, sabe Deus porque. Dois estranhos tão familiarizados. A gente tentou, Baby, mas não deu certo e é normal que aconteça dessa forma, muitas vezes as coisas não dão certo mesmo, os caminhos mudam, o transito fica carregado e a gente acaba perdendo o caminho pensando que encontrou um atalho.
Eu realmente quis que a gente vivesse esse conto de fadas, um principe de olhos verdes e final feliz quem sabe. Mas era unilateral demais. Eui quis, eu  fiz, eu tentei e você sempre saindo pela tangente, você sempre nadando a favor da correnteza de tudo o que acontecia ou não acontecia.
Quando as pequenas promessas se quebravam e eu tentanva me iludir com mil e uma desculpas esfarrapadas, pra tentar me enganar, que você não fazia por mal.Memória fraca, talvez. Todos os telefonemas não respondidos...essas coisas pequenas que quando se vê ja mataram o que era tão grande.
Eu te amei sim, em algum ponto entre às 11 da noite e 5 da manhã eu te amei. Em algum lugar ficou guardada toda a esperança de felicidade que eu via traduzida nos seus olhos.
O fim é inevitável. O destino de tudo o que começa é o fim. A-CA-BAR. É necessário. Não dá pra gente ficar insistindo nisso. Os dois andando em circulos sem sair do lugar. A gente se perdeu, e estamos bem um sem o outro.
Quando você não decidiu o que queria, eu decidi que você não era mais parte da minha vida. Não me culpe, não me chame, não me ligue.
Dessa vez, fui eu quem não quis ficar, fui eu quem partiu. Deixei cada pedaço do que você me deu em cima da mesa de cabeceira. Nós dois não fomos feitos pra ser um só.

                                                                                                   Adeus.

Um comentário:

  1. "Quando você não decidiu o que queria, eu decidi que você não era mais parte da minha vida. Não me culpe, não me chame, não me ligue.
    Dessa vez, fui eu quem não quis ficar, fui eu quem partiu. Deixei cada pedaço do que você me deu em cima da mesa de cabeceira. Nós dois não fomos feitos pra ser um só."

    Tô lendo e relendo este pedaço desde ontem. Acho que é porque sei bem o que é isso, mas nunca tinha conseguido colocar em palavras assim. Que bom que encontrei aqui!

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