O asfalto engoliu a doçura das cidades, trocou sorrisos por tropeços. Talvez seja o calor das inumeras e insuportaveis ilhas de calor, ou o denso ar ja quase irrespiravel pela quantidade de CO2 cuspido e vomitado por toda parte. Ninguem precisa de passarinho cantando na janela do quarto, ate que todos tenham ido embora.
A blusa era azul ou rosa, sabe-se la. Era uma estranha fazendo uma viagem tão esperada por tantos de vida quase vazia como a dela. Buscava esperança, ou pretendia perder a que restava. Dane-se.
Mas logo percebeu que é dificil demais descobrir coisas novas onde as camêras ja fizeram morada. Porque ser estranho, desconhecido é tão complicado? Mandou pro inferno isso também, no meio da poeira - veja só... poeira- do lugar mais civilizadamente estupido que ja conhecera na vida. Metropole de merda. figuras pateticas, fofocas de mil linguas sem dono.
Tentava colocar a vida nos eixos como aquele metrô feio cortando feito cicatriz o rosto da cidade. Eixo. Grande besteira, não dá pra se fingir ou ficar o resto da existencia se equilibrando em regras como em corda, muito bamba. Como se a vida inteira fosse um jogo bobo de criança. Não se foge de si mesmo. Mas a cada esquina da pra se encontrar mais um pouquinho, em São Paulo ou Londres ou numa ilhazinha de mata virgem no Pacifico. É maldição, se encontrar é maldição e das brabas.
- Não tem estrelas aqui, mas que lugar estranho que brilha sem ter estrelas.
As pessoas brilham, dentro de seus turbilhões de preocupações e relógios , elas brilham. Se esquecem. Mas ainda assim elas brilham. Um brilho bonito bem na hora do almoço. Inesquecivel.
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